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Internet via satélite ganha espaço entre empresas e transforma operações na Amazônia

Manaus (AM) – Durante anos, cruzar a reserva indígena Waimiri Atroari, no trajeto entre Manaus e Boa Vista, significava passar horas sem qualquer conexão com a internet. Hoje, empresários conseguem trabalhar durante todo o trajeto graças à internet via satélite instalada nos ônibus. A experiência levou o fundador e diretor-geral da Associação PanAmazônia, Belisário Arce, a refletir sobre como a conectividade começa a alterar a dinâmica dos negócios na região.

Arce acompanha de perto as transformações no ambiente de negócios amazônico. A PanAmazônia reúne mais de 200 empresários de diferentes estados e países amazônicos e atua para fortalecer a cooperação e a integração para o desenvolvimento econômico. Para ele, a expansão da conectividade via satélite representa um caminho para o desenvolvimento da Amazônia.

“A internet deixou de ser apenas um serviço de comunicação para se tornar infraestrutura econômica”, afirma. Em uma região marcada por grandes distâncias, ele explica que tecnologias como a da Starlink têm ampliado as possibilidades de conexão em locais onde as redes convencionais ainda não chegam ou apresentam limitações.

Como fundador da associação que há mais de 15 anos busca aproximar diferentes empreendedores em torno de iniciativas que contribuam para a prosperidade da Amazônia, Arce acompanha histórias que demonstram como avanços na infraestrutura ampliam a competitividade das empresas e criam oportunidades para toda a região.

Da logística ao comércio: os impactos da conectividade

Os exemplos citados envolvem diferentes setores da economia. Além da empresa de transporte que instalou uma antena em seus ônibus e passou a oferecer conexão aos passageiros durante o trajeto entre Manaus e Boa Vista, Arce menciona redes varejistas que utilizam a tecnologia para manter conectadas unidades em municípios sujeitos a interrupções frequentes de comunicação. Empresas de logística também conseguem acompanhar veículos em tempo real em trechos com cobertura limitada, enquanto artistas indígenas passaram a utilizar plataformas digitais para divulgar e comercializar suas obras para compradores de outras regiões do Brasil e do exterior.

Para o diretor-geral, essas experiências mostram uma Amazônia formada por empresas, empreendedores e iniciativas locais que encontram na tecnologia novas formas de superar distâncias, melhorar operações e alcançar mercados. “Para quem vive e empreende na região, esse movimento representa uma oportunidade de fazer a economia acompanhar a dimensão do potencial que a Amazônia sempre teve”, relata.

Ao compartilhar essas histórias, Arce avalia que a transformação digital da Amazônia ainda está em seu início. A expectativa é que soluções hoje presentes em experiências específicas se incorporem cada vez mais à rotina das empresas e contribuam para que o potencial econômico da região avance junto com sua conectividade.

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