Manaus (AM) – Apuí, no Amazonas, detém as terras raras mais ricas do mundo, com 41,5% de pureza em magnéticos – praseodímio, térbio, disprósio e neodímio. A avaliação consta em análise realizada pela Organização Australiana de Ciência e Tecnologia Nuclear (Ansto), a pedido da Brazilian Critical Minerals (BBX), mineradora que vai extrair os elementos químicos no município amazonense.
A pureza de magnéticos encontrada nas terras raras apuíenses supera os níveis registrados pelas mineradoras Viridis Mining (ASX:VMM) (37,5%), Meteoric Resources (ASX:MEI) (31,6%), que atuam em Minas Gerais, pela Aclara Resourses (TSX:ARA) (31,5%), presente em Goiás, e MCRE Resources (30%), que extrai os elementos na Malásia.
De acordo com o diretor técnico da BBX, Antonio de Castro, foram destinados à Ansto mil litros de água do projeto EMA contendo terras raras para análise e procedimentos de produção do carbonato de terras raras, o produto comercial a ser produzido em Apuí. No processo, que aconteceu durante os meses de novembro e dezembro de 2025, foram utilizadas técnicas de precipitação para retirar as impurezas do material, que resultou em um carbonato de terras raras com alto percentual das terras raras usadas para produção de imãs.
“O resultado apontado foi de 41,5% de pureza, o melhor nível já registrado no mundo. Isso é muito bom, pois quanto maior o percentual de magnéticos no carbonato de terras raras, maior o valor agregado do material”, disse o diretor técnico, ao informar que as terras raras analisadas foram extraídas de um espaço de 100 metros por 200 metros, onde foram realizados testes de transmissibilidade da solução no solo, de um total de uma jazida que se expande por 82 quilômetros quadrados.
Além dos magnéticos, os outros 11 elementos de terras raras tambem se fizeram presentes no material analisado, conforme informou a BBX.
A descoberta
A BBX identificou terras raras em Apuí no ano de 2023, durante a busca por lítio em uma pesquisa nas suas areas no município. A partir da descoberta, a empresa iniciou uma série de estudos, incluindo de impacto ambiental, voltados à extração do conjunto de elementos das terras raras da área.
Conforme a BBX, a jazida tem potencial de extração de terras raras que pode chegar ao tempo de até 50 anos. Os elementos de terras raras são utilizados por diversos segmentos da indústria.
A empresa vai investir na extração de terras raras, que ocorrerá de forma escalonada, com produção de carbonato de terras raras. Para a empreitada, estão previstos R$ 200 milhões em investimentos e a geração de mais de 500 empregos na fase de construção em Apuí. A empresa esclarece que a atividade não ocasionará impactos no meio ambiente e todo o processo para viabilizar as licenças estão em andamento.
Texto: Richard Rodrigues